Domingo, 30 de Novembro de 2008

MOINHOS


Os moinhos da serra estão gretados
o Nemésio não está e não há vento,
os ventos do suão estão triturados
pelo frio do inverno e pensamento.

no banco arredondado  onde me sento,
de pedras revestido na portela,
há  sombras do vestido e o rebento
duma flor numa lágrima dela.

e do valeiro ao fundo sobe  fumo
que me lembra os avós , vou e costumo
recolher gravações, coisas inatas

embora tenha a serra em dois pedaços
nos pinheirais fendidos, dois regaços,
e as ideias loucas, abstratas.

___________________________________________________________________

sinto-me:
publicado por Peter às 15:42

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Sábado, 29 de Novembro de 2008

NA ILHA DO TESOURO


Fizemos uma Ilha do Tesouro
a correr pela areia e pelos rochedos,
nas arribas que o sol pintou com ouro
descobrimos mistérios e segredos.

Passaram os turistas...são piratas!
de canhões apontados ,com a  boca
cheia de munições, e eram  latas
caindo imaginadas frente á popa.

subimos ao convés e de corsários
espadeiramos tudo, golpes vários
em disputa bravissima, cruel,

só quando a mãe  chamou, está na hora
e o sol desaparecia pelo mar fora,
eu dizia , acabou-se, Rafael !

sinto-me:
publicado por Peter às 12:50

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Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

POIS VEM


Pois vem ideia sobre mim e conta,
conta-me  coisas novas doutros ceus
que se rasguem para nós cortinas, veus,
á volta do saber que ora desponta.

vem mundo novo aonde se contenta
meu outro ser, o clone natural,
dois ou três mais particula sedenta
por descobrir pedra filosofal.

troca comigo aquilo que aprendi
dos livros do saber, que sempre li
procurando entender ,pela ciência

o mundo que ao meu lado, em paralelo,
pode ser o  pior ou o mais belo
mas escancarado a toda a transparência.

_____________________________________________________________________

sinto-me:
publicado por Peter às 13:11

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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008

MAGALHÃES

 



Querer  redobra vontade  que se quer
com força redobrada, a nave aumenta
o comprimento , nela  cresce e tenta
ser uma obra e não uma  qualquer.

a cada nó o sacrificio tenta
homens e vergas a dobrar-se assim
ao sítio a não chegar , será o fim
de todo o fim que há  muito se experimenta ?

o leme abranda, o capitão perscruta,
o silêncio em redor preso na luta
da emoção que anima o pensamento,

quando um raio de luz da madrugada
acende o mar e a porta da chegada
se vê  nitidamente a barlavento.

publicado por Peter às 17:40

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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2008

DO 17

 
Do dezassete  desço á praça Dante,
em passos ensaiados, só , pareço
estranho ser , pesado, navegante,
carregando na alma o meu tropeço.

na livraria onde entro , algo pressinto
no simples desfolhar dos meus papeis,
mas não é nada, tenho quase extinto
o fogo dos meus actos infieis.

no café que á esplanada me pendura,
a vida o que renova é a procura
que sempre foi,numa busca de rumo,

rumo por alcançar conhecimento,
num sitio de  razão, de pensamento,
onde em bites de tempo me presumo.
_________________________________________________________________________

publicado por Peter às 23:32

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Domingo, 23 de Novembro de 2008

NO BUÇACO

 


Uma vereda, um banco apodrecido,
o musgo, um tapete acomodado
ás pedras , que são chão e são tecido
onde percorro o corpo interrogado.

um ramo, inconsciente, é imperfeito
na sua simetria dilatada,
e eu  sinto-me livre , mas sujeito
á alma muitas vezes algemada.

se no banco dormir,uma chalupa
me desperta nas sombras das ramagens
por sonhos que já tive em catadupa,

com duas velas, única  maneira
de fazer transportar-me por viagens
deitado numa tábua de madeira.

sinto-me:
publicado por Peter às 17:41

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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008

EXPERIÊNCIA

 


Eu não encontro deus representado
nos dogmas  das luzes e altares
por muito que procure é abandonado
que o abandono é voz desses lugares.

se me visse a ver deus, o que consigo,
é pela  rua ao lado de aflitos
a resolver a fome , a dor ,o perigo
e não burocracia dos benditos.

que deus existe se não estiver em nós
uma parte da sua condição ?
ou seremos de si em solução

matéria com memória , uma  experiência
de genes procurando eficiência
para aumentar a sua produção ?

publicado por Peter às 16:54

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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2008

INTERROMPI O COITO

 



Interrompi o coito em que me tinhas
preso na fé dos beijos que me davas
na boca com fervor quando te vinhas
afundar no meu peito  e sossegavas.

tu eras um altar ,a divindade
de todos os meus caminhos percorridos,
juraria por ti toda a verdade
eras tu própria os meus cinco sentidos.

sem ter de acreditar no ser humano,
face ao fraco produto  evolutivo,
em mim te retratei puro ser vivo,

espécie exemplar . foi puro engano,
em acto  cego , irracional, furtivo
desfizeste o teu sonho sem motivo...

sinto-me:
publicado por Peter às 22:56

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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

FERNÃO DE MAGALHÃES

 


A nave  surge , a rasgar  terra e dentro,
o almirante á proa lha mapeia,
interrogando o espaço numa ideia,
a circunferência em torno do seu centro.

entre Deus e a Terra o universo
cintila pelo mar que se empertiga,
a mente cria , sulca, o corpo periga,
o homem teima , avança, nele imerso.

a vontade redobra,  o medo ofusca,
o querer  rema na esperança que se busca
no objecto, em meio já perfeito,

parece último feito o da razão,
abrindo as frias margens e então
ao leme ergue-se o braço e passa o estreito.


publicado por Peter às 16:29

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Terça-feira, 18 de Novembro de 2008

UMA PEQUENA FONTE



Uma pequena fonte, atapetado
por musgo e folhas num outono lento,
o banco tosco, aquele onde me sento
já me diz mais que eu próprio ali calado.

ouve-se água a cair  e jorra pouca,
comparo-a comigo, mais experiente,
conhece o sentimento e muita gente
se debruça e lhe dá beijos na boca.

acoita-se na sombra da folhagem
nos últimos calores do mês de outubro,
artérias dum colchão laranja rubro

ali passo e repasso na coragem
que faz meu caminhar, onde pressinto
que ás vezes com verdade, também minto.

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sinto-me:
publicado por Peter às 17:51

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