Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

RIBEIRA

 

Não sei onde me passa essa ribeira,
mas ouço-a a cantar no vale dos fetos
também é voz, um som, uma maneira
de me lembrar de sonhos e afectos.

a água canta algures nos seus regatos,
ela é infância que passou assim,
canta  tardes, auroras, canta actos,
e faz-se em emoções dentro de mim.

canta a serra, os valeiros, as estradas
batidas pelo pó e pela lama,
lembra o vento a soprar por sobre a cama

aberta ao madrugar pelas portadas,
o nevoeiro esbarra na paisagem
a fazer parte da minha viagem.

publicado por Peter às 18:02

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Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

POETA.IT


Non voglio essere poeta , scrivente
é quello che io sono , scritore tranquilo
di fonemi ed idee  un creatore
di lettere combinate, di profilo.

poeta non lo so, il poeta crolla
si fa  nella rovina sognatore,
io, sensa capello, anche la parola
mi manca nel mio stilo ingannatore

potrei essere técnico di inchiostro
mi piacciono le penne, tracciare
sillabe correndo sul foglio estinto

estinto sia il foglio al ritornare
lo riscriveró perché  vada e senta
di essere libero , libero di volare.
 

publicado por Peter às 19:05

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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009

DEUSES

 


Deuses, eu falo em deuses livremente
como se fosse um deles ,  se o fosse
seria obra de genes, uma mente
a perguntar por mim, o que me trouxe ?

que oráculo teria, em qual altar
me adorariam no reluzente orgulho,
que fariam  do meu acreditar
ricos e reis, a pobreza , o entulho?

que deus seria eu nesta fornalha
de luta visceral de morte e vida
na misera matéria onde se talha

a porcaria e droga que nos lida,
a roleta infernal onde a canalha
não tem mais que nascer e despedida ?

publicado por Peter às 21:39

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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

HOTEL

 

Fizemos tanta vez do nosso quarto
grande palácio, apenas num hotel,
fizemos tanto amor, que hoje me aparto,
do ter-mos feito um quarto de bordel.

inconsciente , á noite, esta virose
esculpe-se em mim ,sem arte e sem cinzel,
não fui eu que acabei nossa hipnose,
só tu quizeste, só tu foste infiel.

tanta virtude á vista convencia,
porque tu tudo querias sem o querer,
quantas vezes fomos a albergaria

esculpir os corpos nús, homem , mulher,
fazer amor, amor que pertencia
ao mundo que eu não queria, de qualquer.

publicado por Peter às 12:07

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Domingo, 22 de Fevereiro de 2009

REFLEXO

Reconstruo as imagens no passado

criando imagens nelas no futuro,

um agora real, ultrapassado,

um agora depois, ’inda imaturo.

 

imagem por imagem, complexa

e esbatida chapa emocional,

não é  o amanhã cópia reflexa

é um ontem talvez , cópia real.

 

será a nossa mente, ela labora

a partir de sinapses neurais

relativiza a massa que incorpora

 

fotocópia, disparos e sinais

talvez tudo o que pensa e elabora

sejam sonhos em aparência iguais

 

publicado por Peter às 00:00

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Quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

IMPULSO

 

Procuro mesurar correctamente

a fonte da razão do teu impulso,

o precursor neural que foi a frente

do acto intemporal que veio avulso.

 

foi percurso moral  de ser pleno

ou transmissão mental desacertada,

má leitura e registo dum aceno

numa psique já danificada ?

 

se pudesse ser um laboratório

e medir na epiderme a energia

talvez algum sinal premonitório

 

de ti  chapasse numa radiografia

ou foto isolada em promontório

de Sagres , pôr do sol, no fim do dia.

 

 

publicado por Peter às 23:41

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Quarta-feira, 18 de Fevereiro de 2009

O MORTO

O morto estava quente e esticado

sob um lençol , na estrada, no exacto

local onde expirou, empacotado,

fora de si a ponta dum sapato.

 

amachucado era e era preto,

com a biqueira aberta, língua em gato,

misturada no som obsoleto

de ambulância em inútil aparato.

 

descobriram o morto ,estava morto,

voltaram a tapa-lo, ali ficou,

aconchegado á berma e absorto

 

na morte em que a vida o transformou,

coberto pelo lençol e pelo desgosto

duma mulher que entretanto chegou.

 

 

publicado por Peter às 18:03

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Segunda-feira, 16 de Fevereiro de 2009

COLOMBO

Se morasse na casa de Colombo

de pedras rubras, becos e quintais

podia imaginar um barco, um rombo

no mar tirreno abaixo , no seu cais.

 

de Cristóvão Colombo , o genovês,

resta uma velha casa em Quinto All Mar

talvez tenha nascido ali , talvez

e dali aprendido a marinhar.

 

janela gradeada, um esqueleto,

porto que rota  o fez talvez sonhar,

é hoje ali escondido um gato preto

 

capitão e herdeiro do seu lar,

talvez superstição , um amuleto

espontâneo tal qual o meu passar

 

sinto-me:
publicado por Peter às 15:55

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Sábado, 14 de Fevereiro de 2009

GITA

 

Dormia com a mão na tua coxa,

gostava de mexer  por ti, anseios,

de te puxar , sentir-te, minha trouxa,

sem falso soletrar sobre os teus seios.

 

depois pensei comprar um astrolábio

para te levar ao mar de Siracusa,

não foi feliz ideia, não fui sábio,

ficaste duvidosa, até confusa.

 

subi ,via Pompei e Erculano

e Roma, de feição morena , etrusca,

acabei em Madrid , no castelhano

 

passeio de Alcalá , onde fiz busca,

para te levar um dia daquele ano

mas já estavas perdida , louca, brusca.


 

publicado por Peter às 20:34

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Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

QUELLA

 

Aquela madrugada foi tão louca,

olhos nos olhos dados, tanto amor,

calei na minha boca a tua boca

 

torturada em crescendo desde Alvor,

sorvemos a loucura, em tempo pouca

compensada em paixão e em fervor.

 

na época passavas e se eu era

escutava a buzina e o meu ser

automático abria numa espera

donde emergia antes de acontecer.

 

aquela madrugada que fizemos

fotocópia da nossa intimidade,

que fizeste depois do que nos demos

de tanto amor, tanta cumplicidade ?

 

sinto-me:
publicado por Peter às 22:00

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