Terça-feira, 28 de Abril de 2009

EMBRIÃO

 

 

Não eras ode, eras o que trazia

do  berço , talvez gene programado

sugestão ou uma alegoria

um jeito de ser pobre , ajuizado

 

e não eras real , eras retrato

sinal, indicação no caos vigente,

embrião imaturo e abstracto

em transição de morte e emergente.

 

era sábado á noite ou sexta-feira

duma vida depois, um entretém

de restos e memórias de maneira

 

a aligeirar o mal que nos sustém

e esquecer os passos na canseira

de caminhar um pouco  mais além.

 

publicado por Peter às 22:32

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Domingo, 26 de Abril de 2009

FLOR

 

Flor de sabugueiro é branca e renda

de bilros, filigranas e noivado

e renasce em Abril , é uma prenda

um perfume e um corpo aliviado.

 

flor de sabugueiro é larga e fina

toalha de virtude e de pureza,

e quando nasce é frágil, pequenina

recortada a cinzel pela natureza.

 

flor de sabugueiro é estendida,

mesa de mais, soberba refeição,

sedutora e gentil , sem ser comida

 

amena e leve depois da ingestão,

um dia me fiz mesa e fiz  guarida

numa ponte em Ucanha, de emoção.

 

publicado por Peter às 16:39

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Terça-feira, 21 de Abril de 2009

VELAS

 

 

Este mar  bate em veios do basalto

na serena manhã , despida espuma,

cargueiros estacionam mais ao alto

a água sobe por coisa nenhuma.

 

vazio é o passeio e esculpido

nas curvas permanentes, recalcadas,

o barco da Sardenha  está surgido

no fundo horizontal de águas paradas.

 

e há velas pequeninas onde o vento

empurra com fulgor, correm ligeiras

saem da praia e vão cada momento

 

a deslizar fragilidade inteira

mas voltam e revoltam , mais de um cento

velozes na segura brincadeira.

 

publicado por Peter às 11:49

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Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

LENDA

Há barcos neste mar como formigas ,

pequenos, a pescar, em águas puras,

outros rasgam gigantes, as antigas

cartas gregas do Egeu  e singraduras.

 

o sol desliza ,faz-se em espelho oculto

que horas levam   tempo a celebrar,

Ulisses surge, e Circe e espreita o vulto

de Polifemo ,em pedra sobre  o mar.

 

e  deuses presenteiam  sonhos , tragos

de paraísos de Afrodite,  amor,

das  ilhas do prazer nascem afagos

 

em velas de Poseidon , redentor

das caricias , do mel onde divago

as loucuras dum outro, Adamastor.  

publicado por Peter às 13:53

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Sexta-feira, 10 de Abril de 2009

Solitário em visão que me deixaste
debruço-me em regresso, porque foi
que numa tarde o norte abandonaste
e essa  tarde vem por vezes, rói .

porque  foi que a agulha magnética,
que na bússula tinha orientada
desnorteou numa tarde patética
e se desfez em pó, depois em nada ?

e porque me pergunto  ainda agora
nos fios dos meus dias pendurado,
porque razão fugi ,surdo, calado,

e tu fechaste a porta e vim embora,
duvido hoje se então seria a hora
de terminar o tanto começado.

 

publicado por Peter às 12:24

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Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

NASCENTE

 
Oh nascente das águas e meu berço,
da dúvida do veio onde me escondo,
emerges quente , emerges neste terço
de pulsar no silêncio dum estrondo.

tão profunda na essência quanto espero
em cada dia o teu sorriso aberto,
escorres pelos meus dedos quando quero
rebobinar-me em anterior concerto.

não desces a cantar os meus ouvidos,
não te sei libertar da escravidão
abstrata, trazes  subtraídos

os valores que te deram condição,
oh nascente de mim , dos meus sentidos
gravada nos meus  esteios da ilusão.

publicado por Peter às 15:14

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Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

PERGUNTA


Levantei-me do todo ignorado
perguntei-me o que sou, senão o mito
desenvolvido em genes no passado
surgindo no presente com um grito.

minha mãe agarrou-me, em paralelo
com sua própria génese e sorvi
da terra o material, humano selo
de quem percorre o espaço  aqui,ali.

sem entender raízes prometidas
numa vez de razão me procurei,
em interrogações incompreendidas.

oh incomoda alma ,eu encontrei
nada em parcelas,poucas, divididas,
entre aquilo que fui e o que serei.





 

publicado por Peter às 19:05

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Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

INTERROGAÇÃO

Interrogar a noite , a madrugada,
a chegada do astro, o seu virar,
os deuses que se mudam pelo nada
entre outros muitos sois a ressonar.

interrogar a terra húmida, fria,
a calote que vai  á luz  buscar
sua força e raiz que distancia
cada vez mais  poder ao nosso olhar.

interrogar tanta esfera vazia
indistintas em tanta dimensão
deixar vir a manhã e outro dia

outro nascer, morrer, na solidão,
instinto vagabundo, que seria
se não houvesse tanta interrogação ?

 

publicado por Peter às 22:09

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