Terça-feira, 10 de Novembro de 2015

COPENHAGEN

 

DSC_1041[1]

A cidade são pedras e calçada
velhas e largas a mostrar canais
transeunte perdido entre os demais
vasculhei cores janelas e arcadas

 

da nudez da sereia mais que usada
cravei uma tuborg a marginais
e visitei Cristiana onde entre os quais
te vi em liberdade pincelada

 

não tenho rei não vi nem tenho margem
tão enganado como estou sou vida
por ela recusei-me sou viagem

 

pedaços de chegada e de partida
entre ladrões exerço vadiagem
esse é meu ermo e minha despedida.

 

 

publicado por Peter às 15:26

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Domingo, 22 de Março de 2015

DIA DA POESIA

RSCN3958[1].JPG

O muro que me separa de mim
alto e silencioso ao comprimento
multiplica-se e fecha-se  sem fim
volta sempre á origem do meu senso

 

tem portas que não abrem nem as penso
odorosos perfumes de jasmim
são o que são e soltas no meu lenço
fechadas e seladas  são assim

 

e sei que sendo eu pequeno e breve
como mínima parte do cordão
tomo e deixo as soleiras ledo e leve

 

como efémera bola de sabão
na pequena existência que se deve
a poeiras e pó de combustão.

publicado por Peter às 00:21

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Sábado, 21 de Março de 2015

ECLIPSE

 

ocaso6.jpg

Abri a porta ao dia entrou o vento

o eclipse foi-se não o li

chegou nevoa tapou o firmamento

e sem luar do tempo me esqueci

 

eram dez da manhã consentimento

dum olhar sobre as órbitas perdi

do exato lugar o seu momento

á hora que contou abstraí

 

foi para não ver o sol que me embriaga

berçário do meu sonho tutelar

não sou da luz um filho mas a praga

 

que qualquer astro rei espalha no ar

particula do fim que aquece e esmaga

o momento fugaz deste lugar.

 

publicado por Peter às 00:01

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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2015

NOSTALGIA

 

 

verdes2.jpg

 Quando me deito e deixo o dia atras

ou espero a noite que não sei quando vem

quero agarrar a luz e ser capaz

de prolongar fotões que me mantém

 

ocorrem-me á memória coisas fúteis

desenho pela mente corpos  beijos

minguar que há do prazer dias inúteis

mistura sem concerto  de desejos

 

clareia em luz um circulo a lua

faixa de luz reciclada aos molhos

rebenta grades que separam a rua

 

dos teus cabelos brancos dos teus olhos

e sem parar a vida continua

sem arredar o lixo nem os escolhos.

publicado por Peter às 16:37

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Domingo, 1 de Fevereiro de 2015

EU

eu.jpg

Sou um tipo danado digo ás vezes

de mim para mim portas atravessadas

não gosto de cenouras nem chineses

e sou silva de nome em papeladas

 

não tenho sorte ao jogo e dos amores

contra o jargão o dom é impreciso

teimoso resmungão e nos sabores

um curioso autor do improviso

 

nesta banalidade estabelecida

pela genética herdada  dos avós

ancoro o bote  ao cais duma partida

 

e parto sem partir da minha foz

enquanto enrolo o tempo e esta vida

num verso num café calando a voz.

 

publicado por Peter às 17:53

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Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2015

CORREM POR MIM

sol.jpg

Correm por mim as horas os minutos

os dias debruçados e assim

errado julgo o caminhar sem fim

na conta destes  dias dissolutos

 

me pergunto e duvido e nada sei

se acaso toco acima um infinito

cego de olhar surdo no próprio atrito

matéria ignorante onde pasmei

 

e dispo-me no tempo onde atravesso

a ruela vazia aonde moro

mudo de humor caminho do avesso

 

ás vezes não me sinto nem ignoro

sou um fio perdido do começo

a poeira dum pó, um pêlo, um poro.

 

 

publicado por Peter às 20:20

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Sábado, 29 de Novembro de 2014

CONCERTO

RSCN3636[1]

Por entre a plateia me sustento

calado ao som final da idade breve

intruso entre os seus gestos me contento

a levitar num sonho calmo e leve

 

tenho na frente a virgem sem menino

tão nova e loira  parece pintura

segurando entre mãos o violino

nele executa e mexe a partitura

 

e do silêncio vivo que me afaga

na harmonia que se abre ao nada

vejo o regato vir fraga após fraga

 

fugindo á floresta desnudada

tenho a virgem nos braços abraçada

e um capitel de flocos me embriaga.

 

publicado por Peter às 16:45

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Terça-feira, 18 de Novembro de 2014

SONETO

RSCN3553[1]

 Quero calar-me ao dia que amanhece

quero nos versos meus fazer sigilo

 fugir da réstea fria que aparece

por sobre um bago rubro de mirtilo

 

quero calar a voz que de vontade

sonora  bate em sombras diluídas

sem fim seguir os trilhos da cidade

abertos entre neves repartidas

 

para não voltar ao meu lugar cativo

eu quero interromper aqui viagem

deambular silêncio andar furtivo

 

fazer parte integral de uma paisagem

ser um vazio algures e permissivo

acabar  de  figura e ser imagem.

 

 

 

publicado por Peter às 22:44

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Sábado, 16 de Outubro de 2010

CERVINO

 

São  paredes de rocha dilacerada

nem se lhes pode discutir o ser,

são existência e são também o nada

são um olhar mas não  o entender.

 

são  tão visíveis como a virgindade

que a natureza guarda no seu peito,

não possuem diário nem idade

vestem-se nus e de prumo direito.

 

nascem ervas, flores, vida perdura

em extremos de perene criação

granítica matéria  que a brancura

 

ora  esconde em abraço  ou em prisão,

na talha da razão vive a cintura,

que lhes rodeia toda a solidão.

  

publicado por Peter às 00:06

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