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NOCTURNO

por Peter, em 31.10.08

 

Não há noites serenas, cai a chuva
sobre o inverno, duplicidade
que me cativa ouvidos e me incuba
horas que já não são realidade.

o amanhã, o tempo não o escreve
no presente varrido de existência,
nas baias do caminho não se bebe
luta-se sim pela subsistência.

há vazios no espaço e pensamento
onde a emoção termina em precipicio
abrem-se fendas ao esquecimento

há noites perdulárias e o vento
sopra da serra , é esse seu oficio
e dezembro parou  frio e cinzento.

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publicado às 22:29


ONDE ESTÁS

por Peter, em 30.10.08


Onde estás meu amor que não te encontro,
ás vezes surges , noite, arrependida,
estendo a mão na memória despida
mas onde estás eu não te reencontro .

nas tuas mãos bebi veias nocturnas,
bebi de ti vinho reparador,
das artérias fiz beijos em alvor,
enlaces em barrancos e em furnas.

seguro no meu vacuo uma lembrança,
de pinhão um postal, fotografia
tirada na estação, junto da via ,

e um grito pungente que me dança
estupido e pregado na poída
matéria, meu amor,que lhe deu vida.

_____________________________________________________________________

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publicado às 22:40


FELICIDADE

por Peter, em 29.10.08

 

Felicidade é coisa que se gasta
não se pode arranjar com meias solas,
não percebo a razão porque se arrasta
por sobre ti a dor onde te imolas.

o anterior, que agente não assume
e pretende apagar como se fosse
inexistente , queima como o lume
tal a cegueira que em paralelo trouxe.

queres fugir da verdade na loucura
que te alastra pelos nervos e sentidos
e manter de virtude os teus vestidos,

oh pobre ignorante criatura,
queres afogar o ser que traduziste
no turbilhão da alma que pariste.
____________________________________________________________________

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publicado às 22:42


BEIJO

por Peter, em 28.10.08

 

  

 

Quando recordo aquele bote antigo

onde encontrava as mãos cheias das tuas

julgo que falta o tempo desse abrigo

que suportava vidas que eram duas

.

traziamos pedaços de marés

intervalos de  nós buscando rumo

abismos precipícios sob os pés

numa coluna a que faltava o prumo

.

depois vinham gaivotas na vazante

da água que espelhava o teu olhar

em minutos e horas dum instante

 

e ali se te lembras em segredo

esquecido o redor da beira mar

a vida se beijava , expulso o medo.

 

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publicado às 20:51


FLAGELO

por Peter, em 27.10.08

Que  furacão  te atormenta os sentidos
nas fibras esmigalhadas de viver
que vontade  e demência de sofrer
os momentos feliz
es e vividos?

que  tortura te esmaga por que sorte
pretendes imolar-te no pecado
e recusar o corpo caminhado
se não há outro mais que te conforte?

quanto me deste tu de belo e nobre
quanto te dei !! que crónica padeço
da falta do amor que eu agradeço.

não chores mais , levanta-te , caminha
desobriga o teu deus , que sorte eu t
inha
se o teu amor não  fosse o meu tropeço !

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publicado às 22:47


POR MUITO QUE...

por Peter, em 27.10.08


Por muito que tu queiras, eu não esqueço
disse-te muitas vezes, sendo assim
levarei teu olhar até ao fim,
mesmo para lá daquilo que conheço.

não está comigo alterar a  vontade
que te rasga na dor e sofrimento,
que se colou ao próprio  sentimento
que te nutria e é uma saudade.

não está comigo desfazer  raizes,
as horas, os minutos, os felizes
momentos ébrios da nossa exaltação,

seguramente em mim não está matar-me,
apenas aceitar ,sublimar-me
enquanto não me para o coração.

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publicado às 22:38


SERÁ LOUCURA ?

por Peter, em 26.10.08


Será loucura o que te arrasa o peito
ou desejo brutal de sofrimento,
porque te esqueces no esquecimento
do teu mundo pequeno e imperfeito?

que castigos germinas nas artérias
onde te corre sangue e respirar,
para te desfazeres a duvidar
de experiências de amor, simples, sérias?

que prazer te condena e dilacera
a carne já de si dilacerada,
para te sacrificares ferida, magoada,

como vítima atroz,cega e austera,
em vida que fazes de vagabunda
no pensamento inutil que te inunda.
__________________________________________________________________________

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publicado às 22:56


VELHAS TILEIRAS

por Peter, em 26.10.08


Verdes tileiras da infância antiga,
sombras nos dias tórridos de agosto,
penumbra  fresca , ainda hoje abriga
meus restos de matéria e do meu rosto.

nessas  belas manhãs de crença pura,
quando tudo mudava por mudar,
a vida era serena  e a loucura
não era mais que rir ou mais que ousar.

velhas tileiras, velhos monumentos,
de tanta vida que por ali passou
quando o amor rasgava pensamentos

e  era ignorar o  maior bem,
eram idade , só o tempo mudou
e com ele mudamos nós também.

 

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publicado às 22:50


FLORESTA

por Peter, em 26.10.08

 


Tranquilos os caminhos da floresta
eivados de silêncio, adoro te-los
nos recortes do sol que se desperta
pela manhã de poeiras  a tece-los.

a frescura do dia é um afago
no outono amarelo, nos carreiros,
um abrigo de mim por onde trago
pensamentos na luz dos castanheiros.

domina-me a mudez pelos sentidos
a esquecer vontades sem regresso,
frustrações e recalques ressequidos

e velhas emoções onde me impeço,
os desejos e sonhos escondidos
que o coração descobre e eu não peço.
_________________________________________________________________________.

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publicado às 22:45


NOITE

por Peter, em 26.10.08


A noite não me sobra, acordo nela
e deixo-me  ficar como que em vão
olhando a ténue luz que da janela
cruza a parede e se espalha no chão.

considero-me  apenas um sumido
grão de gene falhado , mutação
frágil como a cigarra e resumido
a sindroma fugaz de negação.

na noite que me sobra o sonho vive
entre estar e não estar ,o sonho vem
e traz-me a incerteza que já tive

como me tráz a dor que me mantem,
na impossivel parte do meu mundo
abismo do pecado ,onde me afundo

_______________________________________________________________________

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publicado às 22:36

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