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SEGURO

por Peter, em 25.10.08


O meu vizinho é rico de dinheiro,
fez fortuna no imobiliário,
a bolsa dele é de presidiário
forreta quanto baste, o ano inteiro.

no verão se vai de férias só consente
fechar-se  na luxuria dum resort,
não anda de avião, teme que a morte
o venha desfazer num acidente.

mora num condominio que é privado
também de tudo o que a vida contem,
já pagou o caixão de congelado

para  voltar  á vida, do além,
se a empresa onde está assegurado
por falência não se finar também.

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publicado às 23:33


QUANDO ME SOBRA

por Peter, em 25.10.08


Quando me sobra a madrugada, acordo
no que penso ou que sonho, é indistinto
e vai-se assim a noite, não recordo
o que foi que me deu  e ainda sinto.

tento recuperar quando me sobra
do sucedido, uma satisfação,
outras vezes porém, o que se  cobra
é um amargo fruto e ilusão.

então a  madrugada  chega ás fontes
que a escuridão apaga em claridade
e quero-te chamar para que despontes

e regresses á outra realidade,
onde o caminho ao fim tinha um castelo
que a manhã  esboçava de amarelo.

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publicado às 23:27


A LINHA

por Peter, em 25.10.08


A linha do comboio imaginário
passa no campo e vai para a cidade,
por lá vive hoje em dia a infinidade
de escravos a cumprir o seu calvário.

todo o poder  que se governa ,gentes,
parte dum aparelho sedutor,
não passam dum ardil enganador,
gula de loucos, poiso de dementes .

de nada se alterou o velho mundo,
os mesmos cerros, mesma selecção,
onde nada se passa  no profundo

revolver dos milénios  que aqui são,
a vida corre, nem sequer segundo
parece ser na infinita prisão.

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publicado às 23:14


ANALOGIAS

por Peter, em 25.10.08


Viajamos em nave que incendeia
minha hereditariedade de corsário,
vingança que portamos e medeia
um combate tenaz e sanguinário.

em labirinto perco meu retorno
nas forças da razão todas impuras,
ás vezes um mar calmo, outras um forno
reaquecido nas minhas queimaduras.

na massa que trazemos amassada
da dificil moldagem, tentação
será o que não há e não há nada

no universo da nossa dimensão,
egoistas lutando pela estrada,
cujo terminus está á nossa mão.

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publicado às 23:06


NÃO ENCONTRO

por Peter, em 25.10.08


Não encontro por mim  nada que fique
colado ao que não sou, causalidade
que para lá desta vida identifique
o material de tanta exiguidade.

que lógica brutal e explosiva
nos amassou em lego e fez crescer,
entre lixo, vazio, rotativa
que nos imprime em textos de insaber.

comprados ou vendidos é na sorte,
deste comum preludio bestial
e não existe nada que conforte

o mundo de incerteza virtual,
em  gigantescas naves sustentadas
n’outras naves maiores, esvaziadas.

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publicado às 22:58


O MEU VIZINHO

por Peter, em 25.10.08


Meu vizinho está cheio de riquezas,
tem um  rolroyce e ouro em casa forte,
chega-se ao meu portão quando as fraquezas
lhe chegam ao nariz espectro da morte.

digo-lhe que ela vem e vem de vez,
que calha a cada um estar consumado,
mas ele duvidoso diz , cortêz,
que já negociou ser congelado.

e que anos depois ,com o progresso,
a ciência  fará o seu regresso
duma  rica geleira de defuntos,

mas cuidado , na descongelação,
não esqueça a cabeça, o coração
os pés, o peito, o reto ou os presuntos.

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publicado às 22:50


PENÉLOPE

por Peter, em 25.10.08

      


Dez anos a linhar sublimou
Penelope mulher os seus desejos
resistindo aos louvores e aos cotejos
que a sua casa a solidão levou.

fiando amor , na áspera proesa
que espera o coração ignorante
que de Troia voltasse o seu amante
tantos anos em guerras de beleza.

debruçada na roca confiante
no pesaroso não de linho feito
ás vezes vivo ás vezes hesitante

imaginando Ulisses , oh  despeito
de Circe libertado , triunfante
aconchegar-se ás penas do seu leito.

_____________________________________--_______________________________________________

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publicado às 22:39


PROCURA

por Peter, em 25.10.08

 

 

Não há verdades nesta terra crua
procuro-me e não me reconheço
o teu silêncio apenas insinua
que de  ontem afinal há o avesso.

o relógio não para e apesar
do tempo ser em cada um de nós,
não me percebo a rememorar
a ténue linha que nos trouxe o após.

após que constitue hoje o presente
de tantos mas, de interrogações,
quando  de duvidar estava ausente

e a rota tinha rumo definido,
criava e mantinha as ilusões
que a inverdade pôs, sem um sentido.

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publicado às 22:25

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