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UM SONETO

por Peter, em 24.01.13

 

 

Um soneto para ti, estás tão longe

e não te posso ver  nem te falar

prometi-me ao silêncio como monge

rezo por ti mas sem crenças de altar

 

não tenho um oceano a impedir-me

mas  minha companhia é como o pó

navegas entre o ver-me e o fugir-me

perto do telefone, mas estás  só.

 

talvez que mesma  rota seja a tua

das que me queixo, herança de  te ter,

também estando em casa quero a rua

 

sobre o calor a ânsia do chover,

almas de lava pela rocha nua

na amarga rota do sobreviver.

 

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publicado às 21:08


A UM BLOG

por Peter, em 16.01.13

 

Tenho-te mui esquecido na memória

dos factos recentes desinteresse

tanto ás vezes me falta outras parece

que se apagou o verbo e oratória

 

porque me foge a rima ás vezes penso

ter-se esgotado a pobre inspiração

quando o corpo ma pede a mente não

e dela assim me livro e me dispenso

 

e porque só a mim e a mais ninguém

faz falta este vazio de interior

não quero prolongar o estertor

 

em que tal velho escrito se mantem

adeus amigos meus adeus leitor  

andando indo vou por aí além.

 

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publicado às 19:58


NATAL

por Peter, em 11.12.12

 

Tenho por mim acerto e um ajuste

comigo só , eu não festejo a sorte

do meu natal que sem estrela do norte

me traz triste figura num embuste

 

não creio mas compreendo esta ousadia

de me querer entre deuses comensado

viver do essencial que  me foi dado

saber se o absurdo a ver-me havia

 

de quem herda abdómen ,o bater

falível deste ser circulatório

onde me fui buscar e fiz trazer

 

um menino Jesus sem oratório

aqui neste calhau para me perder

eu como outro qualquer ambulatório.

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publicado às 22:17


SLUSSEN

por Peter, em 17.11.12

 

Tão frívolos encantos  eu sustento

no remo da maré desta passagem

que já marquei de volta outra viagem

quer esteja frio ou assobie o vento.

 

a gélida carcaça da coragem

onde me aqueço á vida, onde me tento

ainda é dentro calor, aquecimento

o sonho igual á primeira  mensagem.

 

não digo adeus, apenas sigo a estrada

o comboio que vai é o que vem

vou vazio de mim, não levo nada

 

vou como todos os outros e ninguém,

tenho no bolso um mapa, uma morada

onde por certo há-de morar alguém.

 

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publicado às 23:54


MEMÓRIA

por Peter, em 06.08.11

 

Caminha por aí, fora do rumo

quando tudo acabou , copos vazios,

o tempo esfarrapou-te nos seus fios

o pêndulo parou , caiu a prumo.

 

tão breves os momentos de atavios

e se foram os sonhos  num resumo

a vida ardeu, evaporou-se em fumo

amigo, no inverno dos teus estios.

 

partiste, não  morreste, que a seguir

a via não tem outra alternativa

resta-nos a memória consentida

 

do vinho que não há para repartir

segues para além do hoje e do devir

levas adeus, não levas despedida.

 

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publicado às 23:19


TARDE

por Peter, em 26.04.11


 

 

Espelham da água os tons ocres dobrados,

subindo  a encosta rumo  ao infinito,

procuro segura-los , precipito

olhos e mãos e íntimos cuidados.

 

por sobre mares em ofuscante posto

o astro tomba em falso alinhamento,

toque instantâneo , arrebatamento

da transfiguração que tem no rosto.

 

o dia vai para lá da rotação

que escurece o cá do horizonte,

a rubra luz  não tem hesitação

 

a sombra fecha o sol por sobre o monte

linguagem sem voz , assombração

desse falso morrer que tem defronte.

 

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publicado às 19:19


NATAL ?

por Peter, em 24.12.10

 

Não é Natal, ou é Natal, quem sabe,

o frio é intenso, o interior tão largo,

que o movimento eterno desta nave

é sonho  breve, imaginado,  amargo.

 

não é Natal, ou é Natal, sei lá

o que são  deuses vindos do além,

reservo o pensamento no  que há

meninos deste tempo , meu também.

 

acumulam-se os homens pelas ruas

no difícil saber ignorar,

almas atarefadas, passam nuas

 

olhos que no correr não tem olhar,

e o Natal , se o há, esse flutua

como uma tempestade sobre o mar.

 

 

 

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publicado às 22:30


NATAL

por Peter, em 22.12.10

 

Chega tarde o Natal em versos, odes,

lenda de minha trama evoluiu

não há menino, palha, nem Herodes

morto de vez em  terra se sumiu.

 

nem sei bem onde fica a Galileia

para lá de Gaza, a faixa , e de saber

se o caos  que agente tem é á boleia

se nele há gente feita ou por fazer.

 

á noite, fora, a luz da lua é fria

apara-nos a febre e o parecer

não nascem pobres deuses, porque havia

 

um pobre  e velho deus reaparecer

quando há tanto  Jesus em agonia

e tantos mais ainda por nascer !

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publicado às 22:07


NAUFRÁGIO

por Peter, em 12.12.10

O acidente a ocidente deu-se

e naufragou a armada de um navio

no porão de almas, a ralé perdeu-se,

o mar encheu de gritos o vazio.

 

na guitarra e no fado adormeceu-se

a revolta ,no choro e desvario,

de sorte e cruz a borrasca rendeu-se

e pedaços da barca vem ao rio.

 

mistério dos mistérios , desbravados

o mastro e o convés pairam na areia

tábuas e mortos, peixes , desgraçados,

 

misérias do partir  que se receia,

lamentam-se na praia os afogados

que a tempo não fugiram desta teia.  

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publicado às 18:52


INÊS

por Peter, em 26.11.10

Passei por ti Inês como quem passa,

e tu , pedra de Ançã, estás onde estás

com a trança caída, eterna graça

eterno amor Inês, que nos desfaz.

 

face serena a que tens no rosto,

assim te cinzelou  o escultor,

não te rasgou no coração desgosto

nem cinzelou a morte, mas amor.

 

olhas o campo, verde, cego e nu,

que no Mondego faz  a mesma cama

da teia da paixão, mas não és tu

 

lembrança ali postada no teu drama,

já não és só amor de Pedro o Cru

és amor dum  país que vive e ama.

 

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publicado às 19:16


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