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DJURGARDSBRUNNVIKEN

por Peter, em 19.11.11

 

 

Pergunta aos castanheiros perfilados

da Índia, como estão amarelecidos,

pergunta-lhes por nós de amores proibidos

de afectos perseguidos e trocados

 

pergunta-lhes na quietude dos espelhos

que a água faz no rubro ocre das cores

onde choraram lágrimas e dores

sombras gigantes dos seus troncos velhos.

 

pergunta aos castanheiros que este outono

me sucederam terminado o estio

ou aos patos selvagens que sem dono

 

chapinam a gritar no meio do rio

pergunta-lhes porquê o abandono

a que me dou neste nórdico frio.

 

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publicado às 23:29


GOTAS

por Peter, em 27.09.11

 

 

Tenho teus olhos como gotas de água

presas em flores de rosa e de perfume

e cinjo-te a cintura, aperto, trago-a

colada ao corpo  findo de azedume.

 

já não existe o amargo duma mágoa

nem limite de ideia me resume

a vivência, se foi, agora afago-a

como tesouro e não como queixume.

 

e assim cada momento é uma história

que sendo dois acaba por ser minha

retorno inconsciente na memória

 

ou consciente sigo a plana linha

não me separa a velha trajectória

antes porém revive e me acarinha.

 

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publicado às 23:46


RETRATO

por Peter, em 29.08.11

 

Tu que suspiras sobre o teu retrato

de tanto suspirar não o coordenas

estão-lhe a nascer negras rugas no trato

e torce-se a moldura nas empenas.

 

puxo do tempo o sorriso ,insensato

que sou no improviso  entre dezenas,

fúrias, desejos, um querer abstracto

pó que na alma se desfez em penas.

 

nem sempre de desprezo ou de ciúme

de culpas, embaraços e receios,

nem sempre a emoção  ou o perfume

 

mas sempre esses sorrisos, eu amei-os,

guardo o retrato  como guardo o lume

dos beijos que fazia pelos teus seios.

 

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publicado às 00:29


TARDE

por Peter, em 27.07.11

 

Se para falar de amor estivesse cedo

no tempo e na loucura de viver

despontaria em ti qual grego aedo

longe que fosse ou perto  do teu ser.

 

se de extensão houvesse mais enredo

caminho e outra teia por tecer

chamaria por ti tão presto e ledo

quanto espontâneo tal pudesse ser

 

como verão , que passa e não resiste

ao clima que lhe transforma a luz

a sorte que me leva não  existe

 

ao rio  que me traga me reduz

àquele grão pequeno que persiste

que ás vezes se embriaga e me reluz.

 

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publicado às 23:08


DJURGARDEN

por Peter, em 13.06.11

 

Há muitos anos aconteceu sonhar,

não saber bem porquê, porque razão,

sonhar florestas , lagos e o mar

juntos em terra na palma da mão.

 

os anos luz, segundos ,no mudar

deste ruir por entre escuridão,

sem  matéria não há imaginar

é o vácuo e o  mito a criação.

 

mas que sonhava então , se minhas penas

de bétulas não eram nem vivia,

mas de inocências novas e morenas

 

sonhos que terminavam ao meio dia,

o sol me tisna a pele , ondas serenas

a reabrir as dores da fantasia.

 

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publicado às 18:42


BARCA

por Peter, em 06.04.11

 

Água do lago é de água parada

não mexe o que não tem, não mexe vento,

espelha o universo e não é nada

só é alguma coisa se o invento.

 

na sua superfície uma ramada

certo que vejo e a barca nela tento,

porém não é matéria é ancorada

no sono que me vai no pensamento.

 

se viajasse algures , aquela barca

quando viaja em mim , longe e perdida

talvez abrisse a tampa , fosse a arca

 

presunção e  indício de outra vida,

mas é imaginária, nada abarca

nem remo tem nem cais duma partida.

  

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publicado às 22:14


IMAGEM

por Peter, em 21.03.11

Amei em ti o corpo e a imagem

imagem feita em mim  do teu olhar

e quando se apagou, a carruagem

vazia a vi na rua , a afastar.

 

incompleta e livre esta viagem

á vista de ninguém  veio a ficar,

talvez seja só eu, de mim miragem

para qualquer depois não há lugar.

 

quão estrita é a fina tecedura

envolvendo o torpor crepuscular

divago na razão, que razão pura

 

ardendo na fogueira do meu mar,

o lume existe  aceso , assim perdura

real somente em meu imaginar.

 

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publicado às 22:48


BANCO

por Peter, em 06.03.11

Nesta margem de mar igual e espuma

onde refaço força e pensamento

busco um olhar, o teu, e uma a uma

desfolho-te as palavras como vento.

 

é astrolábio que me manda e ruma

no tempo da distância e do momento

e o vazio treme ao sol que a bruma

deixa por ti nascer num mar sedento.

 

suponho então beijar , amor, castigo,

por ter um bem diferente doutro bem

não em qualquer lugar mas em abrigo

 

num estar sem estar ,num ter que se não tem

é por isso que ás vezes estou contigo

outras vezes porém, não há ninguém.

 

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publicado às 15:45


INÊS

por Peter, em 17.12.10

Porque  gritas mulher e porque choras

e suplicas ao carrasco a dor

porque te vai a vida nas demoras

ausentes e brutais  do sonhador ?

 

porque se cala o som na voz do vento

que sopra sobre os choupos do Mondego

porque é achado o descontentamento

porque há-de o amor ser sempre escravo e cego?

 

porque choras Inês na margem bruta

dos amantes que perdem a razão

na lâmina afiada da disputa

 

da dor que amadurece  a rendição,

fica na pedra o corpo, a alma , a luta

de ganho, eternidade  em nossa mão.

 

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publicado às 12:23


INÊS

por Peter, em 26.11.10

Passei por ti Inês como quem passa,

e tu , pedra de Ançã, estás onde estás

com a trança caída, eterna graça

eterno amor Inês, que nos desfaz.

 

face serena a que tens no rosto,

assim te cinzelou  o escultor,

não te rasgou no coração desgosto

nem cinzelou a morte, mas amor.

 

olhas o campo, verde, cego e nu,

que no Mondego faz  a mesma cama

da teia da paixão, mas não és tu

 

lembrança ali postada no teu drama,

já não és só amor de Pedro o Cru

és amor dum  país que vive e ama.

 

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publicado às 19:16


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