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NATAL ?

por Peter, em 24.12.10

 

Não é Natal, ou é Natal, quem sabe,

o frio é intenso, o interior tão largo,

que o movimento eterno desta nave

é sonho  breve, imaginado,  amargo.

 

não é Natal, ou é Natal, sei lá

o que são  deuses vindos do além,

reservo o pensamento no  que há

meninos deste tempo , meu também.

 

acumulam-se os homens pelas ruas

no difícil saber ignorar,

almas atarefadas, passam nuas

 

olhos que no correr não tem olhar,

e o Natal , se o há, esse flutua

como uma tempestade sobre o mar.

 

 

 

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publicado às 22:30


NAUFRÁGIO

por Peter, em 12.12.10

O acidente a ocidente deu-se

e naufragou a armada de um navio

no porão de almas, a ralé perdeu-se,

o mar encheu de gritos o vazio.

 

na guitarra e no fado adormeceu-se

a revolta ,no choro e desvario,

de sorte e cruz a borrasca rendeu-se

e pedaços da barca vem ao rio.

 

mistério dos mistérios , desbravados

o mastro e o convés pairam na areia

tábuas e mortos, peixes , desgraçados,

 

misérias do partir  que se receia,

lamentam-se na praia os afogados

que a tempo não fugiram desta teia.  

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publicado às 18:52


O MEU PAÍS

por Peter, em 31.10.10

 

O meu  país é mar e comedoiro

fugaz, escancarado e sem sustento

é barril de galego alma de moiro

o meu  país é um adiamento.

 

o meu país é fossa, sumidoiro

a quem lhe quer é brusco e é tormento

espantoso milagre , ancoradoiro

é a deriva que o traz ao vento.

 

o meu país tem face inacabada

por mão de artista não de timoneiro,

o rumo que persegue é na coutada

 

de si próprio, carrasco , prisioneiro,

o meu país que é tudo não é nada

não passa de um quintal todo porreiro.

 

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publicado às 11:25


PORTUGUÊS SUAVE

por Peter, em 11.06.10

 

Voltei ao mar, voltamos sempre ao mar

este país sem fim  em tudo é sal

e na praia  se morre a divagar

na borrasca que varre o areal.

 

é  naufrágio,  constante naufragar

é a matriz , é mãe, um matagal

e tanta  vez nos mata por matar

que  ser órfão, aqui, é o normal.

 

talvez nos mova toda a insensatez,

seja demais a fome de  sofrer,

não que seja este espaço a escassez

 

mas seja a escassez farto viver

em Portugal ,não para o português

mas para tanto ladrão que anda a comer.

  

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publicado às 12:16


DEPUTADOS

por Peter, em 28.02.10

 

O cigarro entre os dedos, o morrão

a cair sobre folhas de papel

perdidos na bancada , do melão,

três pelos sobre a orla de pincel.

 

por baixo a Bola, jornal de digestão,

bíblia e lume , suprema inteligência,

parece espelho , porca de nação

tão magra que se vê á transparência.

 

assim seja, silêncio, afinidade

á louvação do sim, não faz sentido,

numa trincheira aberta á cavidade

 

como osso sem cão ao cão estendido,

será a vida prisão ou liberdade,

ou apenas ganhar mesmo vencido???

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publicado às 22:21


SER

por Peter, em 03.12.09

  

A coisa que não sou, sou o que sou,

pois nem sei o que sou para saber,

existo, logo penso vejo e vou

mas não sei onde vou nem o que ver.

 

não sei se eu sou eu nem onde estou,

não o sendo  que venho aqui fazer,

serei eu positrão que se enganou,

serei manhã , serei amanhecer???

 

estranha coisa vir, amar, morrer,

num infinito olhar que se encontrou,

não ser aura ,futuro ou entender

 

por que se veio e porque se acabou

aquilo que não foi nem há-de ser,

mas estranha foi a coisa que  passou.

 

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publicado às 19:07


CIVILIZAÇÂO

por Peter, em 08.03.09

 

Na mesa do café sou o restolho,
um alentejo seco , amadurecido,
o que está para colher já o não colho
e ás vezes chego e colho adormecido.

e chamo o empregado , um café cheio
saboreado ao sol, sabe-me bem
a cada gole que bebo fico alheio
e de mim próprio alheio-me também.

sobre a cabeça um pequeno boné,
que adquiri na feira do Baião
a crise sobre a mesa, um livro que é

do novo crash uma explicação,
que eu ando a ler e que me tira a fé
se é que a tenho, na civilização.

 

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publicado às 00:10


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