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ESTRADAS DESERTAS

por Peter, em 14.10.15

DSCN4013.JPG

Estradas desertas quando volto ao berço
pontes em Roma, Londres ou Paris
numa sala de espera sou um xis
uma fracção que resta, meio ,terço

viajo, viajar é meu sustento
natural e mecânico que a vida
é um guiar sem carta, sem instrumento,
de portas sempre abertas á partida

neste vazio ser, rota global
uns dias são outros são esquecimento
ás vezes estou por ser irracional

outras vezes é na razão que aguento ,
reunindo os haveres tudo é igual
quando as estradas desertas são de vento.

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publicado às 20:53


DIA DA POESIA

por Peter, em 22.03.15

RSCN3958[1].JPG

O muro que me separa de mim
alto e silencioso ao comprimento
multiplica-se e fecha-se  sem fim
volta sempre á origem do meu senso

 

tem portas que não abrem nem as penso
odorosos perfumes de jasmim
são o que são e soltas no meu lenço
fechadas e seladas  são assim

 

e sei que sendo eu pequeno e breve
como mínima parte do cordão
tomo e deixo as soleiras ledo e leve

 

como efémera bola de sabão
na pequena existência que se deve
a poeiras e pó de combustão.

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publicado às 00:21


ECLIPSE

por Peter, em 21.03.15

 

ocaso6.jpg

Abri a porta ao dia entrou o vento

o eclipse foi-se não o li

chegou nevoa tapou o firmamento

e sem luar do tempo me esqueci

 

eram dez da manhã consentimento

dum olhar sobre as órbitas perdi

do exato lugar o seu momento

á hora que contou abstraí

 

foi para não ver o sol que me embriaga

berçário do meu sonho tutelar

não sou da luz um filho mas a praga

 

que qualquer astro rei espalha no ar

particula do fim que aquece e esmaga

o momento fugaz deste lugar.

 

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publicado às 00:01


CORREM POR MIM

por Peter, em 15.01.15

sol.jpg

Correm por mim as horas os minutos

os dias debruçados e assim

errado julgo o caminhar sem fim

na conta destes  dias dissolutos

 

me pergunto e duvido e nada sei

se acaso toco acima um infinito

cego de olhar surdo no próprio atrito

matéria ignorante onde pasmei

 

e dispo-me no tempo onde atravesso

a ruela vazia aonde moro

mudo de humor caminho do avesso

 

ás vezes não me sinto nem ignoro

sou um fio perdido do começo

a poeira dum pó, um pêlo, um poro.

 

 

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publicado às 20:20


CONCERTO

por Peter, em 29.11.14

RSCN3636[1]

Por entre a plateia me sustento

calado ao som final da idade breve

intruso entre os seus gestos me contento

a levitar num sonho calmo e leve

 

tenho na frente a virgem sem menino

tão nova e loira  parece pintura

segurando entre mãos o violino

nele executa e mexe a partitura

 

e do silêncio vivo que me afaga

na harmonia que se abre ao nada

vejo o regato vir fraga após fraga

 

fugindo á floresta desnudada

tenho a virgem nos braços abraçada

e um capitel de flocos me embriaga.

 

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publicado às 16:45


SONETO

por Peter, em 18.11.14

RSCN3553[1]

 Quero calar-me ao dia que amanhece

quero nos versos meus fazer sigilo

 fugir da réstea fria que aparece

por sobre um bago rubro de mirtilo

 

quero calar a voz que de vontade

sonora  bate em sombras diluídas

sem fim seguir os trilhos da cidade

abertos entre neves repartidas

 

para não voltar ao meu lugar cativo

eu quero interromper aqui viagem

deambular silêncio andar furtivo

 

fazer parte integral de uma paisagem

ser um vazio algures e permissivo

acabar  de  figura e ser imagem.

 

 

 

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publicado às 22:44


FLORESTA

por Peter, em 26.10.08

 


Tranquilos os caminhos da floresta
eivados de silêncio, adoro te-los
nos recortes do sol que se desperta
pela manhã de poeiras  a tece-los.

a frescura do dia é um afago
no outono amarelo, nos carreiros,
um abrigo de mim por onde trago
pensamentos na luz dos castanheiros.

domina-me a mudez pelos sentidos
a esquecer vontades sem regresso,
frustrações e recalques ressequidos

e velhas emoções onde me impeço,
os desejos e sonhos escondidos
que o coração descobre e eu não peço.
_________________________________________________________________________.

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publicado às 22:45


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