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GOTEBORG

por Peter, em 14.03.16

DSC_1240.JPG

Neve de Goteborg  que me tens

reduzido ao que sou frio calado

a janela da rua os armazéns

um olhar comedido camuflado

 

ficou mais noiva a noiva da cidade

no manto que entretanto  se refez

árvores que  a noite faz claridade

barcos que se recortam no convés

 

leva-me a floresta os pensamentos

que os percorro só silenciado

neve que cai por mim por uns momentos

 

a maior parte cai por todo o lado

eu próprio vou calcando  movimentos

umas vezes andando outras parado.

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publicado às 21:57


DIA DA POESIA

por Peter, em 22.03.15

RSCN3958[1].JPG

O muro que me separa de mim
alto e silencioso ao comprimento
multiplica-se e fecha-se  sem fim
volta sempre á origem do meu senso

 

tem portas que não abrem nem as penso
odorosos perfumes de jasmim
são o que são e soltas no meu lenço
fechadas e seladas  são assim

 

e sei que sendo eu pequeno e breve
como mínima parte do cordão
tomo e deixo as soleiras ledo e leve

 

como efémera bola de sabão
na pequena existência que se deve
a poeiras e pó de combustão.

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publicado às 00:21


NOSTALGIA

por Peter, em 24.02.15

 

 

verdes2.jpg

 Quando me deito e deixo o dia atras

ou espero a noite que não sei quando vem

quero agarrar a luz e ser capaz

de prolongar fotões que me mantém

 

ocorrem-me á memória coisas fúteis

desenho pela mente corpos  beijos

minguar que há do prazer dias inúteis

mistura sem concerto  de desejos

 

clareia em luz um circulo a lua

faixa de luz reciclada aos molhos

rebenta grades que separam a rua

 

dos teus cabelos brancos dos teus olhos

e sem parar a vida continua

sem arredar o lixo nem os escolhos.

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publicado às 16:37


BINA

por Peter, em 08.02.15

002.JPG

Está frio muito frio o dia é este

gelam os ossos de quem morre e tu

que não pediste para morrer morreste

mais gelada que o dia amargo e cru

 

escrita do tempo diz que tudo é breve

neste universo em expansão constante

e o que nasce o seu regresso deve

ao vazio e ao nada a todo o instante

 

está muito frio hoje o dia é peste

que forja o triste adeus nesta partida

reservo a companhia que me deste

 

nas letras do poema à despedida

sejas matéria escura azul celeste

espera por mim no congelar da vida.

 

 

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publicado às 19:14


CONCERTO

por Peter, em 29.11.14

RSCN3636[1]

Por entre a plateia me sustento

calado ao som final da idade breve

intruso entre os seus gestos me contento

a levitar num sonho calmo e leve

 

tenho na frente a virgem sem menino

tão nova e loira  parece pintura

segurando entre mãos o violino

nele executa e mexe a partitura

 

e do silêncio vivo que me afaga

na harmonia que se abre ao nada

vejo o regato vir fraga após fraga

 

fugindo á floresta desnudada

tenho a virgem nos braços abraçada

e um capitel de flocos me embriaga.

 

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publicado às 16:45


SONETO

por Peter, em 18.11.14

RSCN3553[1]

 Quero calar-me ao dia que amanhece

quero nos versos meus fazer sigilo

 fugir da réstea fria que aparece

por sobre um bago rubro de mirtilo

 

quero calar a voz que de vontade

sonora  bate em sombras diluídas

sem fim seguir os trilhos da cidade

abertos entre neves repartidas

 

para não voltar ao meu lugar cativo

eu quero interromper aqui viagem

deambular silêncio andar furtivo

 

fazer parte integral de uma paisagem

ser um vazio algures e permissivo

acabar  de  figura e ser imagem.

 

 

 

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publicado às 22:44


LOVE STORY

por Peter, em 14.02.13

 

De regresso ás ondas,de retorno ao mar
a barcos parados de mareação
sentado na praia estendo o divagar
pelas serenas águas e sonhos que são

O sol vespertino que gira incendeia
a linha quebrada dos montes ao rubro
e eu, o que faço , agarro a sereia
que trago comigo e dela me cubro.

saltita nas pedras no branco da espuma
são gotas de pérola no seu cintilar
num raio de sol batendo na bruma

na gávea dum barco que vai a passar
e a noite cerrada, de parte nenhuma
sorrindo se espalha pelo meu olhar.

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publicado às 21:02


A UM BLOG

por Peter, em 16.01.13

 

Tenho-te mui esquecido na memória

dos factos recentes desinteresse

tanto ás vezes me falta outras parece

que se apagou o verbo e oratória

 

porque me foge a rima ás vezes penso

ter-se esgotado a pobre inspiração

quando o corpo ma pede a mente não

e dela assim me livro e me dispenso

 

e porque só a mim e a mais ninguém

faz falta este vazio de interior

não quero prolongar o estertor

 

em que tal velho escrito se mantem

adeus amigos meus adeus leitor  

andando indo vou por aí além.

 

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publicado às 19:58


ELA

por Peter, em 02.12.12

 

Passava a saltitar pulando a rua

em que ali estava eu vendo o seu passo

acendia o meu sol no seu regaço

como se o dia fosse á luz da lua

 

em aquele minuto de harmonia

quimérica razão no meu mar jónico

explodia de amor amor platónico

a idade que em mim se entontecia

 

aconteceu que num minuto apenas

deixei de a ver surgir  pela manhã

o que esperei foi esperança sempre vã

 

chovendo em mim dilúvio de mil penas

foi uma historiografia de morenas

faces trigueiras tintas de romã.

 

 

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publicado às 21:23


SLUSSEN

por Peter, em 17.11.12

 

Tão frívolos encantos  eu sustento

no remo da maré desta passagem

que já marquei de volta outra viagem

quer esteja frio ou assobie o vento.

 

a gélida carcaça da coragem

onde me aqueço á vida, onde me tento

ainda é dentro calor, aquecimento

o sonho igual á primeira  mensagem.

 

não digo adeus, apenas sigo a estrada

o comboio que vai é o que vem

vou vazio de mim, não levo nada

 

vou como todos os outros e ninguém,

tenho no bolso um mapa, uma morada

onde por certo há-de morar alguém.

 

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publicado às 23:54


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