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NOSTALGIA

por Peter, em 24.02.15

 

 

verdes2.jpg

 Quando me deito e deixo o dia atras

ou espero a noite que não sei quando vem

quero agarrar a luz e ser capaz

de prolongar fotões que me mantém

 

ocorrem-me á memória coisas fúteis

desenho pela mente corpos  beijos

minguar que há do prazer dias inúteis

mistura sem concerto  de desejos

 

clareia em luz um circulo a lua

faixa de luz reciclada aos molhos

rebenta grades que separam a rua

 

dos teus cabelos brancos dos teus olhos

e sem parar a vida continua

sem arredar o lixo nem os escolhos.

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publicado às 16:37


BINA

por Peter, em 08.02.15

002.JPG

Está frio muito frio o dia é este

gelam os ossos de quem morre e tu

que não pediste para morrer morreste

mais gelada que o dia amargo e cru

 

escrita do tempo diz que tudo é breve

neste universo em expansão constante

e o que nasce o seu regresso deve

ao vazio e ao nada a todo o instante

 

está muito frio hoje o dia é peste

que forja o triste adeus nesta partida

reservo a companhia que me deste

 

nas letras do poema à despedida

sejas matéria escura azul celeste

espera por mim no congelar da vida.

 

 

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publicado às 19:14


EU

por Peter, em 01.02.15

eu.jpg

Sou um tipo danado digo ás vezes

de mim para mim portas atravessadas

não gosto de cenouras nem chineses

e sou silva de nome em papeladas

 

não tenho sorte ao jogo e dos amores

contra o jargão o dom é impreciso

teimoso resmungão e nos sabores

um curioso autor do improviso

 

nesta banalidade estabelecida

pela genética herdada  dos avós

ancoro o bote  ao cais duma partida

 

e parto sem partir da minha foz

enquanto enrolo o tempo e esta vida

num verso num café calando a voz.

 

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publicado às 17:53


RASURA

por Peter, em 26.01.15

coimbra.jpg

 Hoje na madrugada que findou

ouvi os sinos da torre da igreja

pulei do sono onde ainda estou

num terramoto que me fere e beija

 

depois do áureo e frio amanhecer

deste inverno sedento esfomeado

o que de resto veio a acontecer

foi prosseguir sonhando e acordado

 

espécie sem horário num vazio

dum caos de pensamento introspecção

na deriva do senso  e desafio

 

ás leis que nos parecem e não são

fixei tarde o sol no pau do fio

metamorfose fresca da razão.

 

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publicado às 23:15


CONCERTO

por Peter, em 29.11.14

RSCN3636[1]

Por entre a plateia me sustento

calado ao som final da idade breve

intruso entre os seus gestos me contento

a levitar num sonho calmo e leve

 

tenho na frente a virgem sem menino

tão nova e loira  parece pintura

segurando entre mãos o violino

nele executa e mexe a partitura

 

e do silêncio vivo que me afaga

na harmonia que se abre ao nada

vejo o regato vir fraga após fraga

 

fugindo á floresta desnudada

tenho a virgem nos braços abraçada

e um capitel de flocos me embriaga.

 

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publicado às 16:45


SONETO

por Peter, em 18.11.14

RSCN3553[1]

 Quero calar-me ao dia que amanhece

quero nos versos meus fazer sigilo

 fugir da réstea fria que aparece

por sobre um bago rubro de mirtilo

 

quero calar a voz que de vontade

sonora  bate em sombras diluídas

sem fim seguir os trilhos da cidade

abertos entre neves repartidas

 

para não voltar ao meu lugar cativo

eu quero interromper aqui viagem

deambular silêncio andar furtivo

 

fazer parte integral de uma paisagem

ser um vazio algures e permissivo

acabar  de  figura e ser imagem.

 

 

 

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publicado às 22:44


OLHOS

por Peter, em 17.03.12

 

 

Teus olhos já não são meu pensamento

nem a face redonda, contracção,

tanta distância apenas é momento,

nem  dos teus beijos há recordação.

 

os seios  já não são atrevimento,

o corpo curvilíneo sugestão,

o colo que obtive e fui  sustento

não é a posse ou gula da paixão.

 

e o teu olhar  de cujas cores em tela

o rosto macerado vai vivendo

não me trás o adeus , não é janela

 

correu-me pelos dedos, foi morrendo

isolado  em flores dentro  da cela

que sem grades em mim se foi tecendo.

 

 

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publicado às 18:47


AMOR

por Peter, em 12.01.11

 

Sombreei os teus olhos sombreados

como pinturas que de rosto são,

nem sempre como queria , destinados

á loucura da nossa possessão.

 

remexi o teu corpo numa crença

o que te segredei deusa o ouviu

embebido na chama da pertença

teu colo,  ao meu segredo ,mais se uniu

 

disse-te amor, de instintiva cartilha 

em beijos repetidos de prazer

chamei-te de princesa , mãe e filha

 

chamei-te o que chamei e deve ser

bebendo sobre a taça da partilha

o vinho do teu corpo de mulher. 

 

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publicado às 23:20


DANÇA

por Peter, em 07.01.11

 

Não sou pintor de rosas com perfume

como gostavas e te conheci

leve e ligeira, flor de fogo e lume

e procurei a vida assim ,em ti.

 

porém as coisas são todas correntes

mudáveis como a proa dum navio

que busca rumo em águas imprudentes

e a remar entramos num vazio.

 

não peço agora ao ignoto vir

que não chegou a ser, coisa nenhuma

em cada porto há barcas a partir

 

outras que  chegam no rasgão da espuma,

tudo é chegar,  viver e repetir

as passadas do tempo, uma por uma.

 

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publicado às 13:03


MORENA

por Peter, em 22.11.10

Não me chames aquilo que não sou

poeta, que poesia é que há por mim ?

rimo umas letras porque sou assim

um rimador  que nada mais rimou.

 

morrem também  no meu retorno ao fim

breve olvidar de quem aqui passou,

versos, quem os não fez, os não cantou

quando a flor que nasce é um jardim?

 

não me chames poeta, a poesia

se alguma vez me foi tinta na pena

foi só pelo teu olhar, que não me acena

 

como acenou  ao tempo em que o vivia,

só fui poeta então , por simpatia

e por  amar teu rosto de morena.

 

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publicado às 18:45


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