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CONCERTO

por Peter, em 29.11.14

RSCN3636[1]

Por entre a plateia me sustento

calado ao som final da idade breve

intruso entre os seus gestos me contento

a levitar num sonho calmo e leve

 

tenho na frente a virgem sem menino

tão nova e loira  parece pintura

segurando entre mãos o violino

nele executa e mexe a partitura

 

e do silêncio vivo que me afaga

na harmonia que se abre ao nada

vejo o regato vir fraga após fraga

 

fugindo á floresta desnudada

tenho a virgem nos braços abraçada

e um capitel de flocos me embriaga.

 

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publicado às 16:45


O MEU PAÍS

por Peter, em 31.10.10

 

O meu  país é mar e comedoiro

fugaz, escancarado e sem sustento

é barril de galego alma de moiro

o meu  país é um adiamento.

 

o meu país é fossa, sumidoiro

a quem lhe quer é brusco e é tormento

espantoso milagre , ancoradoiro

é a deriva que o traz ao vento.

 

o meu país tem face inacabada

por mão de artista não de timoneiro,

o rumo que persegue é na coutada

 

de si próprio, carrasco , prisioneiro,

o meu país que é tudo não é nada

não passa de um quintal todo porreiro.

 

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publicado às 11:25


CERVINO

por Peter, em 16.10.10

 

São  paredes de rocha dilacerada

nem se lhes pode discutir o ser,

são existência e são também o nada

são um olhar mas não  o entender.

 

são  tão visíveis como a virgindade

que a natureza guarda no seu peito,

não possuem diário nem idade

vestem-se nus e de prumo direito.

 

nascem ervas, flores, vida perdura

em extremos de perene criação

granítica matéria  que a brancura

 

ora  esconde em abraço  ou em prisão,

na talha da razão vive a cintura,

que lhes rodeia toda a solidão.

  

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publicado às 00:06


UNIVERSO

por Peter, em 29.07.10

 

No forno atómico que é o universo

tremendamente grande e tutelar

me encontro, me pergunto e me disperso

entre negro vazio e pó estelar.

 

ensaio fictício e adverso

fado ruim do fútil caminhar,

vendo-me, em consciência, a cada verso

que não é verso, é busca e é remar.

 

na cinza da argamassa o prumo é nada,

nada parece haver para aprumar,

sendo isto mar não existe enseada

 

sendo infinito não existe voltar,

logo à esquina da rua ,que é caiada,

se me encobre a vista e o pensar.

 

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publicado às 20:42


SE VIAJASSE

por Peter, em 04.01.09

 


Se viajasse aos limites do mundo
num telescópio ou acelerador,
gostava de encontrar-te, meu amor
no espaço tempo , ainda que um segundo.

nesse algures, ele existe, quem diria
que ao cruzarmos, talvez uma miragem,
se pudesse travar numa abordagem
manuseando a massa de energia.

e voltar a viver noutro horizonte
indeterminação que  a nossa fonte
esterilizou em estranha nostalgia,

para ir ao restaurante sem ter medo,
que os amigos descubram o segredo
do amor que na terra em nós parecia.

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publicado às 21:57


NO ACELERADOR

por Peter, em 01.01.09

 

 
No acelerador do fim do mundo,
o chegar ao início, explicará,
do universo o sentido profundo,
da energia e tempo que será ?

em viajar constante , nós seremos
quem sabe, luz ou massa, ou ilusões,
por tudo quanto amamos, quanto temos
pode passar um fio de fotões ?

podemos ser até velocidade
deambulando  em gazes estelares
passar por  aqui, talvez felicidade

que pode não haver noutros lugares,
e pode haver no fim um precipício
e mesmo o próprio fim, não ter inicio ?

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publicado às 22:11


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