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GOTEBORG

por Peter, em 14.03.16

DSC_1240.JPG

Neve de Goteborg  que me tens

reduzido ao que sou frio calado

a janela da rua os armazéns

um olhar comedido camuflado

 

ficou mais noiva a noiva da cidade

no manto que entretanto  se refez

árvores que  a noite faz claridade

barcos que se recortam no convés

 

leva-me a floresta os pensamentos

que os percorro só silenciado

neve que cai por mim por uns momentos

 

a maior parte cai por todo o lado

eu próprio vou calcando  movimentos

umas vezes andando outras parado.

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publicado às 21:57


COPENHAGEN

por Peter, em 10.11.15

 

DSC_1041[1]

A cidade são pedras e calçada
velhas e largas a mostrar canais
transeunte perdido entre os demais
vasculhei cores janelas e arcadas

 

da nudez da sereia mais que usada
cravei uma tuborg a marginais
e visitei Cristiana onde entre os quais
te vi em liberdade pincelada

 

não tenho rei não vi nem tenho margem
tão enganado como estou sou vida
por ela recusei-me sou viagem

 

pedaços de chegada e de partida
entre ladrões exerço vadiagem
esse é meu ermo e minha despedida.

 

 

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publicado às 15:26


ESTRADAS DESERTAS

por Peter, em 14.10.15

DSCN4013.JPG

Estradas desertas quando volto ao berço
pontes em Roma, Londres ou Paris
numa sala de espera sou um xis
uma fracção que resta, meio ,terço

viajo, viajar é meu sustento
natural e mecânico que a vida
é um guiar sem carta, sem instrumento,
de portas sempre abertas á partida

neste vazio ser, rota global
uns dias são outros são esquecimento
ás vezes estou por ser irracional

outras vezes é na razão que aguento ,
reunindo os haveres tudo é igual
quando as estradas desertas são de vento.

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publicado às 20:53


BINA

por Peter, em 08.02.15

002.JPG

Está frio muito frio o dia é este

gelam os ossos de quem morre e tu

que não pediste para morrer morreste

mais gelada que o dia amargo e cru

 

escrita do tempo diz que tudo é breve

neste universo em expansão constante

e o que nasce o seu regresso deve

ao vazio e ao nada a todo o instante

 

está muito frio hoje o dia é peste

que forja o triste adeus nesta partida

reservo a companhia que me deste

 

nas letras do poema à despedida

sejas matéria escura azul celeste

espera por mim no congelar da vida.

 

 

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publicado às 19:14


EU

por Peter, em 01.02.15

eu.jpg

Sou um tipo danado digo ás vezes

de mim para mim portas atravessadas

não gosto de cenouras nem chineses

e sou silva de nome em papeladas

 

não tenho sorte ao jogo e dos amores

contra o jargão o dom é impreciso

teimoso resmungão e nos sabores

um curioso autor do improviso

 

nesta banalidade estabelecida

pela genética herdada  dos avós

ancoro o bote  ao cais duma partida

 

e parto sem partir da minha foz

enquanto enrolo o tempo e esta vida

num verso num café calando a voz.

 

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publicado às 17:53


RASURA

por Peter, em 26.01.15

coimbra.jpg

 Hoje na madrugada que findou

ouvi os sinos da torre da igreja

pulei do sono onde ainda estou

num terramoto que me fere e beija

 

depois do áureo e frio amanhecer

deste inverno sedento esfomeado

o que de resto veio a acontecer

foi prosseguir sonhando e acordado

 

espécie sem horário num vazio

dum caos de pensamento introspecção

na deriva do senso  e desafio

 

ás leis que nos parecem e não são

fixei tarde o sol no pau do fio

metamorfose fresca da razão.

 

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publicado às 23:15


CORREM POR MIM

por Peter, em 15.01.15

sol.jpg

Correm por mim as horas os minutos

os dias debruçados e assim

errado julgo o caminhar sem fim

na conta destes  dias dissolutos

 

me pergunto e duvido e nada sei

se acaso toco acima um infinito

cego de olhar surdo no próprio atrito

matéria ignorante onde pasmei

 

e dispo-me no tempo onde atravesso

a ruela vazia aonde moro

mudo de humor caminho do avesso

 

ás vezes não me sinto nem ignoro

sou um fio perdido do começo

a poeira dum pó, um pêlo, um poro.

 

 

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publicado às 20:20


SONETO

por Peter, em 18.11.14

RSCN3553[1]

 Quero calar-me ao dia que amanhece

quero nos versos meus fazer sigilo

 fugir da réstea fria que aparece

por sobre um bago rubro de mirtilo

 

quero calar a voz que de vontade

sonora  bate em sombras diluídas

sem fim seguir os trilhos da cidade

abertos entre neves repartidas

 

para não voltar ao meu lugar cativo

eu quero interromper aqui viagem

deambular silêncio andar furtivo

 

fazer parte integral de uma paisagem

ser um vazio algures e permissivo

acabar  de  figura e ser imagem.

 

 

 

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publicado às 22:44


LOVE STORY

por Peter, em 14.02.13

 

De regresso ás ondas,de retorno ao mar
a barcos parados de mareação
sentado na praia estendo o divagar
pelas serenas águas e sonhos que são

O sol vespertino que gira incendeia
a linha quebrada dos montes ao rubro
e eu, o que faço , agarro a sereia
que trago comigo e dela me cubro.

saltita nas pedras no branco da espuma
são gotas de pérola no seu cintilar
num raio de sol batendo na bruma

na gávea dum barco que vai a passar
e a noite cerrada, de parte nenhuma
sorrindo se espalha pelo meu olhar.

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publicado às 21:02


UM SONETO

por Peter, em 24.01.13

 

 

Um soneto para ti, estás tão longe

e não te posso ver  nem te falar

prometi-me ao silêncio como monge

rezo por ti mas sem crenças de altar

 

não tenho um oceano a impedir-me

mas  minha companhia é como o pó

navegas entre o ver-me e o fugir-me

perto do telefone, mas estás  só.

 

talvez que mesma  rota seja a tua

das que me queixo, herança de  te ter,

também estando em casa quero a rua

 

sobre o calor a ânsia do chover,

almas de lava pela rocha nua

na amarga rota do sobreviver.

 

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publicado às 21:08


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