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ECLIPSE

por Peter, em 21.03.15

 

ocaso6.jpg

Abri a porta ao dia entrou o vento

o eclipse foi-se não o li

chegou nevoa tapou o firmamento

e sem luar do tempo me esqueci

 

eram dez da manhã consentimento

dum olhar sobre as órbitas perdi

do exato lugar o seu momento

á hora que contou abstraí

 

foi para não ver o sol que me embriaga

berçário do meu sonho tutelar

não sou da luz um filho mas a praga

 

que qualquer astro rei espalha no ar

particula do fim que aquece e esmaga

o momento fugaz deste lugar.

 

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publicado às 00:01


NOSTALGIA

por Peter, em 24.02.15

 

 

verdes2.jpg

 Quando me deito e deixo o dia atras

ou espero a noite que não sei quando vem

quero agarrar a luz e ser capaz

de prolongar fotões que me mantém

 

ocorrem-me á memória coisas fúteis

desenho pela mente corpos  beijos

minguar que há do prazer dias inúteis

mistura sem concerto  de desejos

 

clareia em luz um circulo a lua

faixa de luz reciclada aos molhos

rebenta grades que separam a rua

 

dos teus cabelos brancos dos teus olhos

e sem parar a vida continua

sem arredar o lixo nem os escolhos.

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publicado às 16:37


EU

por Peter, em 01.02.15

eu.jpg

Sou um tipo danado digo ás vezes

de mim para mim portas atravessadas

não gosto de cenouras nem chineses

e sou silva de nome em papeladas

 

não tenho sorte ao jogo e dos amores

contra o jargão o dom é impreciso

teimoso resmungão e nos sabores

um curioso autor do improviso

 

nesta banalidade estabelecida

pela genética herdada  dos avós

ancoro o bote  ao cais duma partida

 

e parto sem partir da minha foz

enquanto enrolo o tempo e esta vida

num verso num café calando a voz.

 

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publicado às 17:53


CORREM POR MIM

por Peter, em 15.01.15

sol.jpg

Correm por mim as horas os minutos

os dias debruçados e assim

errado julgo o caminhar sem fim

na conta destes  dias dissolutos

 

me pergunto e duvido e nada sei

se acaso toco acima um infinito

cego de olhar surdo no próprio atrito

matéria ignorante onde pasmei

 

e dispo-me no tempo onde atravesso

a ruela vazia aonde moro

mudo de humor caminho do avesso

 

ás vezes não me sinto nem ignoro

sou um fio perdido do começo

a poeira dum pó, um pêlo, um poro.

 

 

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publicado às 20:20


SE....

por Peter, em 09.09.14

 

 

Se fossemos amantes quanto amada

seria  a tez que tens , cumplicidade,

quanto acrescentaria a coisa  dada

aos motes do prazer e da vontade

 

se fossemos amantes libertada

a tua rosea face e branco seio

seria infindo aquilo que era nada

nesta surda paixão que em mim refreio

 

se fossemos raiz dessa aventura

tida por nós , mantida ,ah  pois sim creio

seria eterna  a chama e a loucura

 

se fossemos amantes e enleio

de corpos  nus  na alma  ,na figura,

não restos dum encontro de permeio.

 

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publicado às 13:24


BARCA

por Peter, em 06.09.14

 

 

Frágil e velha  barca se adormeço

me vou por ti  sem leme e sem rumar

nos atilhos do cais sem endereço

finjo  ser o partir  sou o ficar

 

sem bussola na bruma onde me esqueço

de onde é o norte e a estrela polar

navego o nevoeiro denso e espesso

nas memórias que tenho a naufragar

 

rasgo  do vendaval a violência

desprovida de vento e de razão

já marujo não sou nem experiência

 

nem o delírio à solta dum tufão

regresso sem partir á procedência

sobre o resto das tábuas dum porão.

  

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publicado às 20:00


LOVE STORY

por Peter, em 14.02.13

 

De regresso ás ondas,de retorno ao mar
a barcos parados de mareação
sentado na praia estendo o divagar
pelas serenas águas e sonhos que são

O sol vespertino que gira incendeia
a linha quebrada dos montes ao rubro
e eu, o que faço , agarro a sereia
que trago comigo e dela me cubro.

saltita nas pedras no branco da espuma
são gotas de pérola no seu cintilar
num raio de sol batendo na bruma

na gávea dum barco que vai a passar
e a noite cerrada, de parte nenhuma
sorrindo se espalha pelo meu olhar.

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publicado às 21:02


UM SONETO

por Peter, em 24.01.13

 

 

Um soneto para ti, estás tão longe

e não te posso ver  nem te falar

prometi-me ao silêncio como monge

rezo por ti mas sem crenças de altar

 

não tenho um oceano a impedir-me

mas  minha companhia é como o pó

navegas entre o ver-me e o fugir-me

perto do telefone, mas estás  só.

 

talvez que mesma  rota seja a tua

das que me queixo, herança de  te ter,

também estando em casa quero a rua

 

sobre o calor a ânsia do chover,

almas de lava pela rocha nua

na amarga rota do sobreviver.

 

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publicado às 21:08


ELA

por Peter, em 02.12.12

 

Passava a saltitar pulando a rua

em que ali estava eu vendo o seu passo

acendia o meu sol no seu regaço

como se o dia fosse á luz da lua

 

em aquele minuto de harmonia

quimérica razão no meu mar jónico

explodia de amor amor platónico

a idade que em mim se entontecia

 

aconteceu que num minuto apenas

deixei de a ver surgir  pela manhã

o que esperei foi esperança sempre vã

 

chovendo em mim dilúvio de mil penas

foi uma historiografia de morenas

faces trigueiras tintas de romã.

 

 

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publicado às 21:23


SLUSSEN

por Peter, em 17.11.12

 

Tão frívolos encantos  eu sustento

no remo da maré desta passagem

que já marquei de volta outra viagem

quer esteja frio ou assobie o vento.

 

a gélida carcaça da coragem

onde me aqueço á vida, onde me tento

ainda é dentro calor, aquecimento

o sonho igual á primeira  mensagem.

 

não digo adeus, apenas sigo a estrada

o comboio que vai é o que vem

vou vazio de mim, não levo nada

 

vou como todos os outros e ninguém,

tenho no bolso um mapa, uma morada

onde por certo há-de morar alguém.

 

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publicado às 23:54


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