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COPENHAGEN

por Peter, em 10.11.15

 

DSC_1041[1]

A cidade são pedras e calçada
velhas e largas a mostrar canais
transeunte perdido entre os demais
vasculhei cores janelas e arcadas

 

da nudez da sereia mais que usada
cravei uma tuborg a marginais
e visitei Cristiana onde entre os quais
te vi em liberdade pincelada

 

não tenho rei não vi nem tenho margem
tão enganado como estou sou vida
por ela recusei-me sou viagem

 

pedaços de chegada e de partida
entre ladrões exerço vadiagem
esse é meu ermo e minha despedida.

 

 

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publicado às 15:26


ESTRADAS DESERTAS

por Peter, em 14.10.15

DSCN4013.JPG

Estradas desertas quando volto ao berço
pontes em Roma, Londres ou Paris
numa sala de espera sou um xis
uma fracção que resta, meio ,terço

viajo, viajar é meu sustento
natural e mecânico que a vida
é um guiar sem carta, sem instrumento,
de portas sempre abertas á partida

neste vazio ser, rota global
uns dias são outros são esquecimento
ás vezes estou por ser irracional

outras vezes é na razão que aguento ,
reunindo os haveres tudo é igual
quando as estradas desertas são de vento.

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publicado às 20:53


REVOLUÇÃO

por Peter, em 28.07.15

 

073.JPG

 A revolucão passou pela avenida

expondo os estandartes desfraldados

vento dando nos panos levantados

pela banda da cidade precedida

 

o deus Poseidon riu do pedestal

habituado ao cíclico aparato

os discursos  os gritos e o ato

o mesmo términus na internacional

 

quarenta anos vivos de  glórias

não cumpridas na esperança persistente

porque só esta existe descontente

 

das promessas banais alienatórias

a revolta foi fama apenas histórias

para enganar a fé de toda a  gente

 

 

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publicado às 21:13


DIA DA POESIA

por Peter, em 22.03.15

RSCN3958[1].JPG

O muro que me separa de mim
alto e silencioso ao comprimento
multiplica-se e fecha-se  sem fim
volta sempre á origem do meu senso

 

tem portas que não abrem nem as penso
odorosos perfumes de jasmim
são o que são e soltas no meu lenço
fechadas e seladas  são assim

 

e sei que sendo eu pequeno e breve
como mínima parte do cordão
tomo e deixo as soleiras ledo e leve

 

como efémera bola de sabão
na pequena existência que se deve
a poeiras e pó de combustão.

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publicado às 00:21


BINA

por Peter, em 08.02.15

002.JPG

Está frio muito frio o dia é este

gelam os ossos de quem morre e tu

que não pediste para morrer morreste

mais gelada que o dia amargo e cru

 

escrita do tempo diz que tudo é breve

neste universo em expansão constante

e o que nasce o seu regresso deve

ao vazio e ao nada a todo o instante

 

está muito frio hoje o dia é peste

que forja o triste adeus nesta partida

reservo a companhia que me deste

 

nas letras do poema à despedida

sejas matéria escura azul celeste

espera por mim no congelar da vida.

 

 

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publicado às 19:14


CONCERTO

por Peter, em 29.11.14

RSCN3636[1]

Por entre a plateia me sustento

calado ao som final da idade breve

intruso entre os seus gestos me contento

a levitar num sonho calmo e leve

 

tenho na frente a virgem sem menino

tão nova e loira  parece pintura

segurando entre mãos o violino

nele executa e mexe a partitura

 

e do silêncio vivo que me afaga

na harmonia que se abre ao nada

vejo o regato vir fraga após fraga

 

fugindo á floresta desnudada

tenho a virgem nos braços abraçada

e um capitel de flocos me embriaga.

 

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publicado às 16:45


E VÓS...

por Peter, em 31.01.11

 

E vós tágides minhas que de aperto

me levais Tejo fora noutra rota

me haveis de dar da pátria infima nota

para que de longe, algures, me sinta perto.

 

pois que sendo este mar tão descoberto

desde o zarpar á ilha mais ignota

mais frouxo é o saber e mais remota

a sorte do percurso vago e incerto.

 

navegantes sem bussula e sem prumo

no marear as cartas de improviso

debitam-se em queixumes e sem rumo

 

as pimentas , os ouros , o juizo,

que se agitam as naus, ardem sem fumo

promessas para atingir o paraiso.

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publicado às 19:26


NAUFRÁGIO

por Peter, em 12.12.10

O acidente a ocidente deu-se

e naufragou a armada de um navio

no porão de almas, a ralé perdeu-se,

o mar encheu de gritos o vazio.

 

na guitarra e no fado adormeceu-se

a revolta ,no choro e desvario,

de sorte e cruz a borrasca rendeu-se

e pedaços da barca vem ao rio.

 

mistério dos mistérios , desbravados

o mastro e o convés pairam na areia

tábuas e mortos, peixes , desgraçados,

 

misérias do partir  que se receia,

lamentam-se na praia os afogados

que a tempo não fugiram desta teia.  

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publicado às 18:52


O MEU PAÍS

por Peter, em 31.10.10

 

O meu  país é mar e comedoiro

fugaz, escancarado e sem sustento

é barril de galego alma de moiro

o meu  país é um adiamento.

 

o meu país é fossa, sumidoiro

a quem lhe quer é brusco e é tormento

espantoso milagre , ancoradoiro

é a deriva que o traz ao vento.

 

o meu país tem face inacabada

por mão de artista não de timoneiro,

o rumo que persegue é na coutada

 

de si próprio, carrasco , prisioneiro,

o meu país que é tudo não é nada

não passa de um quintal todo porreiro.

 

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publicado às 11:25


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TORGA, EÇA, ABELAIRA, PESSOA, EUGÉNIO DE ANDRADE, DRUMOND DE ANDRADE,RUI BELO, CAMÕES,AQUILINO,FERREIRA DE CASTO, TOLSTOI, KUNDERA,VICTOR HUGO, PABLO NERUDA,CERVANTES, CARL SAGAN, RÉGIO, RUSSEL, RENAN, HERCULANO,HEMINGWAY, STEINBEK, SARAMAGO, LAGERLOFF,PASTERNaK, VERISSIMO,